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08/01/2014

42°CAP - A APOSTA - A CARAPAÇA SE QUEBRA .




Chef Jamie traz dois pratos fundos,
recheados com risoto de salmão e cebolinhas
picadas por cima. Nina já perdeu a fome e
Harry encara o prato, ainda com o maxilar
trincado.

Quando se veem novamente sozinhos, Harry

a fita com um olhar febril e uma expressão
que Nina nunca viu antes.

— Eu vou matar esse cara.


— Não precisa. – Nina deixa um sorriso

escapar. – O Doc, meu irmão, acabou com o
Mustang novinho dele com um taco de
beisebol e a ajuda de uns amigos. E há duas
semanas eu soube que ele finalmente foi
preso, por aliciamento de menores. Na época,
meu pai até pensou em processar o cara,
mas minha mãe o fez desistir da ideia. Eu era
muito nova e o escândalo poderia ter sido
muito pior para mim. Eu aprendi uma lição,
da pior maneira, tenho que admitir. Mas hoje
ninguém me faz de idiota. Eu nunca mais vou
deixar que alguém me use dessa forma. – se
Nina estava tranquila, isso muda quando ela
profere as duas últimas frases. Um brilho
cortante surge em seus grandes olhos
esverdeados. – Consegue me entender
melhor agora?

— Não me importa se ele foi preso, ainda

quero matar esse desgraçado. – Harry sustenta
uma expressão a lá Chuck Norris. – Eu não
faria isso com você, nunca a enganaria dessa
maneira.

— Ah, Harry, qual é! – Nina zomba. – Você é

o galinha do Prisma, um apostador, um
mentiroso… conta outra, vai.

— Acha que eu chegaria a esse ponto? –

Harry faz uma pausa com o cenho franzido.
Quer provar que Nina não precisa temê-lo de
maneira alguma e ele sabe como a
convencerá: – Quer ouvir uma história?

— É sobre uma aposta? – Nina empurra o

risoto para o lado, apoiando os cotovelos na
mesa.

— É sobre uma aposta sim. E isso vai

provar a você que eu tenho caráter.

— Por que quer me provar isso? Não estou

cobrando nada.

— Ainda assim, quero contar. Vai ouvir?

Nesse ponto, Chef Jamie faz cara de quem
vai chorar. Quando entra no bangalô e vê os
dois pratos intocados, o britânico sai e o
americano arretado entra em cena.

— Oxe! Vocês nem tocaram no risoto!


— Desculpe, Chef, estamos realmente

satisfeitos. E aliás, estava tudo perfeito. –
Harry não tira os olhos de Nina e vice-versa.

— Bom, nesse caso, vou trazer as

sobremesas. Vocês vão comer, certo?

— Pode trazer. – é Nina quem responde e o

Chef volta para a cozinha, choramingando
com o garçom.

Harry observa Nina com outros olhos. Apesar

do ódio que está sentindo pela história que
ouviu, sente-se orgulhoso por ela não ter se
deixado abater, como era de se pressupor.
Ela é forte e soube canalizar muito bem a
amarga experiência que vivenciou.

— Não me olhe assim, não quero que sinta

pena. – Nina se remexe, um tanto
desconfortável.

— Pena? O que sinto está bem longe disso.


— Tenho que confessar que foi muito bom

colocar isso para fora. Talvez você tenha
conseguido o que ninguém mais conseguiu.

— Derrubar o muro que você construiu

para se proteger? – Harry arrisca um palpite.

— É, algo assim. – ela faz uma pausa

lacônica antes de passar a palavra para Harry:

– Bem, sua vez de falar.


Harry se ajeita melhor, como se isso tornasse

a tarefa a seguir mais fácil. Esse é um
segredo bem guardado, que ele se sente
impelido a dividir com Nina. Assim como
agora ele a entende melhor, talvez ela o
compreenda também.

— Eu fiquei com a Bárbara no ano passado.

Nunca tinha namorado ninguém antes e não
estava interessado. Não por medo de me
envolver, entenda. Eu acho que não estava
pronto, não tinha encontrado a pessoa certa.

Harry faz uma pausa e busca os olhos de

Nina. Se ela entendeu o recado eu não sei,
mas nós entendemos!

— A galera vivia me zoando, dizendo que

eu não era bom com essa coisa de
relacionamentos. Até aí, tudo certo. O
problema aconteceu no dia em que me
desafiaram a namorar uma mesma garota,
por quinze dias.

— Você não se conteve e quis provar que

era capaz. – Nina adivinha, sabiamente. –
Vocês garotos são tão estranhos.

— Gancho lançou a aposta e…


— Sempre o Gancho. Ele é aquele diabinho

de chifres que fica sobre o ombro esquerdo,
não é? – Nina interrompe a narrativa.

— Para dizer a verdade, na maior parte do

tempo ele é o anjinho de auréola sobre meu
ombro direito. – Harry morde o lábio e o Chef
volta da cozinha.

— Esse é o trio Inamorata. Mousse de

chocolate branco, mousse de coco e mousse
de morango com calda de frutas vermelhas. –
o Chef explica e o garçom coloca os pratos
ricamente enfeitados sobre a mesa. – Se
vocês não comerem, juro que me afogo no
mar.

Nina e Harry não se aguentam e desatam a

rir. Para que o Chef não cometa suicídio,
Nina pega uma colherada e leva aos lábios. O
mousse de morango derrete na boca e ela
solta um suspiro de prazer. O Chef sorri,
orgulhoso.

— Querem um café? Um chá? Um

cappuccino? – ele oferece.

— Não, obrigada. – Nina recusa.

— Estamos bem, valeu mesmo. – Harry
também recusa e quando ficam sozinhos,
tenta retomar a linha de raciocínio: – Onde
eu estava?

— Na aposta de quinze dias lançada pelo

lado demo do Gancho. – Nina elucida e solta
outro suspiro ao levar o mousse de coco à
boca. – Cara, isso está muito bom!

— O lance foi que eu aceitei a aposta. A

Bárbara estava a fim e eu jurei levar o
namoro à sério, como namorados costumam
fazer.

— Você enganou a garota. – Nina alfineta.


— Ela queria namorar e eu dei isso a ela,

por um breve período. – Harry dá de ombros,
indiferente.

— Em que você é tão diferente do cara que

me enganou? – Nina assume uma postura de
ataque.

— Chegarei lá. – Harry faz outra pausa. –

Nós namoramos por quinze dias e eu tenho
consciência de que fui um ótimo namorado.
Eu a levava ao shopping, ao cinema, ao Mc
Donald’s, ao Burguer King, à sorveteria e
ainda escutava aquela ladainha chata de
sempre, com a maior boa vontade.

— Hum, sei.


— É sério, não foi fácil como você imagina.

No décimo sexto dia, eu já estava pronto
para terminar o namoro. Tinha vencido o
desafio e poderia ganhar minha liberdade de
volta. E como eu ansiava por ela, você não
faz ideia. A garota vivia no meu pé, me
ligando de cinco em cinco minutos, me
proibindo disso e daquilo, palpitando em
tudo, reclamando de todos os meus amigos…
enfim, foi o inferno na Terra.
“Numa tarde, ela chegou na minha casa
sem avisar. Quando dei por mim, ela estava
praticamente nua, se oferecendo
desesperadamente.”

Nina solta a colher no prato e engasga.

Precisa de água para se recuperar do choque.
Antes que possa fazer qualquer comentário,
Harry continua.

— A Bárbara armou uma emboscada e tive

que terminar o namoro com ela deitada na
minha cama, seminua, numa das situações
mais embaraçosas pelas quais já passei na
vida.

— Vocês… quero dizer… você e ela…?


— Não! Eu jamais faria algo assim! Nina,
eu não conseguiria conviver com isso.

— Harry, não me diga que é virgem?


— Claro que não! Mas eu não poderia fazer

isso com a Bárbara, você entende? Tudo não
passava de uma aposta.

Só um detalhe: quando Harry praticamente

gritou “claro que não”, Nina sentiu uma
pontada de ciúmes brotando em algum lugar
do seu ser.

— E o que ela fez? – até o tom da garota

mudou depois disso.

— Foi a cena mais deprimente que eu já

assisti. Juro que me senti um crápula, da pior espécie. Ela se ajoelhou e implorou para que eu voltasse atrás. Contei sobre a aposta,
deixei tudo às claras, mas nada parecia
adiantar.

— Ela implorou para você não terminar o

namoro? – Nina é pega de surpresa, não
consegue imaginar Bárbara suplicando por
nada.

— Não! Implorou para que eu transasse

com ela!

— Ai. Meu. Deus.


— Está entendendo agora? Depois desse

lance com a Bárbara, eu jurei que nunca
mais entraria em uma aposta.

— Nunca mais?


— Envolvendo mulheres, depois da

Bárbara, você foi a única. – ele a encara,
com profundidade. – Eu não queria aceitar
essa aposta, Nina.

— Por que aceitou?


Hum, terreno perigoso! Será que Harry terá a

coragem de abrir o jogo e contar que está
sendo chantageado pela Kibi Mor?

— Ei, vencedores! Como foi o almoço? – o

monitor-chefe entra no bangalô, todo
sorridente.

— Foi excelente. – Harry responde aliviado,

mais uma vez salvo pelo gongo.

— Nina?


— Foi ótimo, valeu o desafio. – ela

responde, num tom de decepção. O monitor
tinha que aparecer justo agora?

— Bem, se já tiverem terminado, a lancha

os aguarda. Vamos?

— Esse papo não termina aqui. – Nina

sussurra para Harry enquanto seguem o
monitor em direção ao píer.


~~***~~

A lancha não é grande como Nina
imaginou. É toda branca, com frisos laterais
azuis e poucos lugares à bordo. O monitor chefe liga o motor e pede que os garotos se
segurem, porque a embarcação vai voar.

Harry e Nina se sentam no único banco de

dois lugares. Ela quer voltar no assunto da
aposta, mas quando a lancha arranca, fica
difícil falar com o barulho do vento. Nesse
caso, ela grita:

— Vai me contar, não vai? Sobre o porquê

de ter aceitado a aposta?

— Não agora!


— Harry, não me enrole.


— Nina, eu não sou o filho da puta que

você imaginava. Isso já não basta?

— Não!


A lancha percorre todo o contorno da ilha,

numa velocidade surpreendente. Em alguns
pontos, é como se a embarcação realmente
planasse sobre a água, criando ondas laterais
e assustando os pássaros.

Harry e Nina estão divagando em suas

próprias mentes. As belezas naturais passam
voando e eles nem se dão conta.

Harry está ruminando sobre tudo o que Nina

contou no almoço. Imagina-se quebrando a
cara do sujeito que a enganou, arrancando-lhe
todos os dentes da boca.

Nina está pensando em Bárbara e na cena

que se desenrolou no quarto de Harry. Nem em
mil anos ela se submeteria a implorar por um
cara dessa maneira. Realmente Harry não é o
filho da puta que ela imaginava. Ao pensar
nisso, dá uma olhada de esguelha para ele.
Um sorriso tímido lhe escapa dos lábios, um
gesto que finalmente, quebra a carapaça ao
meio.


Nota da Autora: O Capitulo não foi muito emocionante, mais o bom é que ninguém esta escondendo nada de ninguém agora néh minhas Amoras? Os dois sabem de tudo, não temos nada a esconder, agora só falta a iniciativa de quem em senhor Styles ? kkkkkkkk' (Desculpem não colocar musica no Capitulo, estou com alguns problemas.)  Beijos X beijos Amoras. 


7 comentários:

  1. Continua..se n vo morre aki

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    1. Continuo sim amora, mas por favor não morra kkkkk' :3

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  2. como assim ñ foi emocionante? ficou perfeito!
    continua <3

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    1. Obrigada pelo perfeito Amora !
      Continuo sim :3

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  3. Tou amandoo continuaa please *--*
    Dá uma passadinha no meu blog amr , será uma honra !
    http://imagine-onedirection-justinbieber.blogspot.com.br/

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A cada 10 pessoas que comentam 4 delas dizem, na verdade o que eu realmente não sei o que estou falando, então se entendeu parabéns e obrigada por comentar.
E lembrando foi comprovado cientificamente que comentar emagrece.